sábado, 23 de março de 2013

CUSTO DE MATÉRIAS.



CÁLCULO DOS CUSTOS COM MATERIAIS (estoques)

Os materiais abrangem uma vasta gama de insumos, suprimentos, produtos e mercadorias.

·  insumos são todos os materiais necessários no processo de produção de bens e serviços.
· suprimentos são todos os materiais necessários ao preenchimento das condições de funcionamento das instalações e equipamentos.
·  produtos são os exsumos da produção e ou fabricação próprias, resultado da transformação de bens e serviços em outros bens e serviços.
·  mercadorias são bens adquiridos pela empresa, para revenda, sem transformação.

A contabilidade de materiais diz respeito ao levantamento, registro e fornecimento de dados envolvendo a circulação de materiais na empresa. O custo dos materiais adquiridos deve incluir todos os gastos necessários para que eles chegue ao estabelecimento da entidade compradora.
Na realidade o custo de uma mercadoria adquirida não é somente o constante da nota fiscal, mas o resultante da soma deste com todos os gastos necessários para a colocação do produto em condições de venda.
Normalmente, serão os custos de fretes e seguros que aparecerão com maior frequência.

EXEMPLO:

Valor pago ao fornecedor $ 1.000,00
Fretes pagos ao transportador $ 50,00
Prêmio de seguros sobre fretes $ 30,00
Custo de aquisição $ 1.080,00
Considerando que os valores foram pagos a prazo, tem-se o seguinte lançamento contábil:
Contas Débito Crédito estoques 1.080,00
Duplicatas a pagar 1.000,00
Fretes a pagar 50,00
Seguros a pagar 30,00
total 1.080,00 1.080,00

Quanto ao tratamento de mercadorias com tributação (IPI e ICMS) o procedimento seria:

DADOS:

Compra Venda
Valor da mercadoria 1.000,00 1.800,00
Valor do IPI (10%) 100,00
Valor total da nota 1.100,00 1.800,00
Valor do ICMS (17%) 170,00 306,00

Os materiais quando adquiridos são ativados no grupo denominado de ESTOQUES, ocorrendo a baixa pela efetiva utilização, seja ela na produção (ex: matéria-prima) e no consumo (ex: material de expediente).
Os estoques representam um dois mais importantes grupos do conjunto patrimonial, sendo classificado como ativo circulante. A sua correta determinação é imprescindível no momento da apuração do resultado do exercício, por tratar-se de um dos componentes do cálculo do lucro líquido.
Conceitualmente, é possível identificar estoques como bens adquiridos ou produzidos, com o objetivo de venda ou utilização pela empresa, em suas atividades operacionais.
A contabilização de compras de itens de estoques, assim como o das vendas a terceiros, dever ser o da transmissão do direito de propriedade dos mesmos. Dessa forma, a composição dos estoques deve-se dar pela posse de direito e não pela posse física.
Os estoques são compostos por:

a) itens que existem fisicamente em estoques, excluindo-se os que estão fisicamente na empresa mas que são de propriedade de terceiros (consignações);
b) itens adquiridos pela empresa, mas que estão em trânsito, a caminho na data do balanço;
c) itens da empresa que foram remetidos para terceiros em consignação;
d) itens de propriedade da empresa que estão em poder de terceiros para armazenagem, beneficiamento, embarque etc.

CÁLCULO DO CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS E DAS MERCADORIAS VENDIDAS.

O controle de estoques, como já descrito, é base para a apuração do custo dos produtos vendidos. Esse cálculo, por sua vez, por ser efetuado seguindo-se o sistema de controle de estoques. As possibilidades existentes são compostas pelo método de controle
periódico e pelo método de controle permanente.
O método de controle periódico parte do inventário inicial e final, objetivando encontrar o valor para a apuração do resultado. Neste, não é controlado o estoque a cada operação de entrada e saída de insumos, ou seja, o estoque tem seu controle realizado pelo levantamento físico (inventário).
O método de controle permanente exige a escrituração de todos os fatos de entrada e baixa de insumos em fichas especiais, atualizado o sistema contábil no momento em que os fatos ocorrem ( venda, compra e consumo).
Na sequência discute-se a composição dos custos com materiais em empresas comerciais e industriais. Em empresas comerciais denomina-se custo da mercadoria vendida – CMV, já nas empresas industriais a utiliza-se a expressão custo do produto vendido – CPV.

a) EMPRESAS COMERCIAIS

Nas empresas comerciais, a fórmula é simples, pois as entradas são representadas somente pelas compras de mercadorias destinadas à revenda. Porém o critério de apuração do CMV pode ser realizado pelo método permanente ou periódico.

PERMANENTE – efetua-se o controle do estoque a cada aquisição e baixa de mercadorias, podendo calcular o custo das mercadorias pelos critérios PEPS, UEPS e MËDIA.
EXEMPLO:

NA COMPRA:
Debita-se estoque, debita-se ICMS a recuperar e credita-se fornecedores.

NA VENDA:
D CMV D Caixa D ICMS
C Estoques C Venda C ICMS Pagamento.

Lançamentos (comércio – método de controle permanente):

1º aquisição da mercadoria a vista.

D – estoque de mercadorias $ 930,00
D – ICMS a recuperar $ 170,00
C – Caixa $ 1.100,00

2º venda da mercadoria a vista

D – Caixa $ 1.800,00
C – Vendas de mercadorias $ 1.800,00
D – ICMS c/despesa $ 306,00
C – ICMS a recolher $ 306,00
D – CMV $ 930,00
C – Estoque de mercadorias $ 930,00

3º Compensação do ICMS (recolher e recuperar)

D – ICMS a recolher $ 170,00
C – ICMS a recuperar $ 170,00
Saldo da conta ICMS a recolher (306,00 – 170,00 = 136,00).

4º pagamento do ICMS

D – ICMS a recolher $ 136,00
C – Caixa $ 136,00

DRE destes fatos

Receita bruta $ 1.800,00
( - ) impostos s/vendas $ (306,00)
(=) Receita Líquida $ 1.494,00
(-) CMV $ 930,00
(=) Lucro Bruto $ 564,00

PERIÓDICO: efetua-se a apuração do CMV no final do exercício, por meio da fórmula:

CMV = EI + C – D – EF

ONDE:

CMV = custo das mercadorias vendidas
EI = estoque inicial
C = compras ou entradas do período (frete, IPI etc.)
D = deduções (devolução de mercadoria, descontos etc.)
EF = estoque final

b) EMPRESAS INDUSTRIAIS

Na indústria, todavia, as entradas representam a produção completada no período, sendo que para tais empresas é necessário um sistema de Contabilidade de Custos cuja complexidade vai depender da estrutura do sistema de produção, das necessidades internas etc.

APURAÇÃO DO CPV

1 Estoque Inicial de Mat. Direto (EIMD)
2 (+) Compras de Mat. Direto
3 (-) Estoque Final de Mat. Direto (EFMD)
4 (=) Material Direto Consumido (MD)
5 (+) Mão-de-bra Direta (MOD)
6 (+) Custos Indiretos de fabricação (CIF)
7 (=) Custo de Produção do Período (CPP)
8 (+) Estoque inicial de prod. em elaboração (EIPA)
9 (-) Estoque final de prod. em elaboração (EFPE)
10 (=) Custo produção acabada (CPA)
11 (+) Estoque inicial de prod. acabados (EIPA)
12 (-) Estoque final de prod. acabados (EFPA)
13 (=) Custo dos Produtos Vendidos (CPV)

O tratamento tributário para as diversas empresas pode ser resumido da seguinte maneira, quanto o inclusão ou não do tributo ao custo do produto/serviço:

EMPRESA INDUSTRIAL COMERCIAL SERVIÇOS

Exclui o IPI Inclui o IPI Inclui o IPI
Exclui o ICMS Exclui o ICMS Inclui o ICMS
Recupera o IPI Recupera o ICMS Não recupera o
e o ICMS e não o IPI IPI nem o ICMS

COMO REGRA GERAL, É POSSÍVEL AFIRMAR:

- Para uma empresa industrial que adquire matéria-prima pagando IPI e ICMS, nenhum destes impostos representará custo, uma vez que ao vender o produto final, a empresa recuperará do cliente os impostos sobre as vendas.
- Já para uma empresa comercial que compra da indústria e vende ao consumidor final, o IPI deve ser incluído no custo da mercadoria, apesar de encontrar-se na nota fiscal, e o ICMS deve ser excluído, apesar de fazer parte do preço.
- Para a empresa prestadora de serviços, que não terá a possibilidade de recuperar nem o IPI nem o ICMS, já que está sujeito ao ISSQN, tanto o IPI como o ICMS tornam-se custos.

CONTABILIZAÇÃO DE FATOS QUE ALTERAM OS VALORES DAS COMPRAS E VENDAS.

1. Devolução e abatimentos.

Devolução:
D – (-) Devolução de vendas
C - Caixa

Abatimentos:

D – (-) Abatimento sobre vendas
C - Caixa

OBS: As contas de devolução e abatimentos são contas de saldo original devedor, mas classificadas no plano geral de contas como redutoras das receitas. Assim, os saldos de tais contas, no fim do período, serão jogados contra o saldo das vendas, para apuração do valor das vendas líquidas.

D - vendas
C - devolução de vendas
C - abatimento s/ vendas

EXEMPLO:

Vendas....112.000,
(-) devolução....3.000,
(-) abatimento....2.000,
CMV....85.000

DRE

Vendas brutas 112.000
(-) devolução 3.000
(-) abatimento 2.000
Venda líquida 107.000
(-) CMV 85.000
(=) Lucro Bruto 22.000

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES (MATERIAIS):

Os métodos de avaliação de estoques objetivam, exclusivamente, separar o custo dos materiais, mercadorias e produtos entre o que foi consumido ou vendido e o que permaneceu em estoque.
Se diversos materiais iguais forem comprados por preços diferentes, principalmente, por terem sido adquiridos em datas diferentes, e forem intercambiáveis entre si, algumas alternativas de avaliação poderão ser adotadas:

A) PREÇO MÉDIO:

O critério mais utilizado no Brasil é o do Preço Médio para a avaliação dos estoques (consequentemente para a do custo dos materiais utilizados). Podemos, no entanto fixar pelo menos dois tipos diferentes de Preço Médio: Móvel e Fixo.

A1) PREÇO MÉDIO PONDERADO MÓVEL (PMPM)

É assim chamado aquele mantido por empresas com controle constante de seus estoques e que por isso atualiza seu preço médio após cada aquisição. Nesse caso.

CÁLCULO:

Dia 17 = $ 33.300 / 3.000kg = $ 11,10 kg

Quantidade Utilizada x preço médio = custo da matéria-prima.

3.200 kg x $ 11,10 = $ 24.420,00
Dia 29 = (800+1200) / ($8.880+15.600) = $ 12,24
1.000 kg x $ 12,24 = $ 12.240,00

Matéria-prima total aplicada no mês = $ 24.420,00 + 12.240 = $ 36.600,00

A2) PREÇO MÉDIO PONDERADO FIXO (PMPF)

Utilizado quando a empresa calcula o preço médio apenas após o encerramento do período ou quando decide apropriar a todos os produtos elaborados no exercício ou mês um único preço por unidade (kg, neste exemplo):

CÁLCULO:

PMPF do Mês = $ 48.900/ 4.200 kg = $ 11,643/kg
Dia 17 = 2.200 kg x $ 11,643kg = $ 25.614,00
Dia 29 = 1.000 kg x $ 11,643kg = $ 11.643,00
Matéria-prima total aplicada no mês = $ 37.257,00

B) PRIMEIRO A ENTRAR É O PRIMEIRO A SAIR (PEPS – FIRST-IN, FIRST-OUT)

Neste critério, o material é custeado pelos preços mais antigos, permanecendo os mais recentes em estoque.

CÁLCULO:

Dia 17 – matéria-prima utilizada (2.200 kg) = 1.000 kg x $ 10,00/kg = $ 10.000,00
1.200 kg x $ 11,65/kg = $ 13.980,00
$ 23.980,00
Dia 29 – matéria-prima utilizada (1.000 kg) = 800 kg x $ 11,65/kg = $ 9.320,00
200 kg x $ 13,00/kg = $ 2.600,00
$ 11.920,00

Total da matéria-prima utilizada = $ 35.900,00

C) ÚLTIMO A ENTRAR PRIMEIRO A SAIR (UEPS – LAST-IN, FIRST-OUT)

CÁLCULO:

Dia 17 – matéria-prima utilizada (2.200 kg) = 2.000kg x $ 11,65/kg = $ 23.300,00
200kg x $ 10,00/kg = $ 2.000,00
$ 25.000,00
Dia 29 – matéria-prima utilizada (1.000 kg) = 1.000kg x $ 13,00/kg = $ 13.000,00

Total da matéria-prima utilizada = $ 38.300,00

Este critério permite a apropriação durante o mês ou após, alterando o custo total da MP utilizada.

OBSERVAÇÃO:

A Legislação brasileira não está mais aceitando o PMPF se for calculado com base nas compras de um período maior que o prazo de rotação do estoque. Realmente, não faz sentido avaliar pelo preço médio das compras do ano os estoques adquiridos nos últimos três meses, por exemplo. Também não aceita a utilização do critério UEPS.