CÁLCULO DOS
CUSTOS COM MATERIAIS (estoques)
Os materiais abrangem
uma vasta gama de insumos, suprimentos, produtos e mercadorias.
· insumos são todos os materiais
necessários no processo de produção de bens e serviços.
· suprimentos
são todos os materiais necessários ao preenchimento das condições de funcionamento
das instalações e equipamentos.
· produtos são os exsumos da produção e
ou fabricação próprias, resultado da transformação de bens e serviços em outros
bens e serviços.
· mercadorias são bens adquiridos pela
empresa, para revenda, sem transformação.
A contabilidade
de materiais diz respeito ao levantamento, registro e fornecimento de dados
envolvendo a circulação de materiais na empresa. O custo dos materiais
adquiridos deve incluir todos os gastos necessários para que eles chegue ao estabelecimento
da entidade compradora.
Na realidade o
custo de uma mercadoria adquirida não é somente o constante da nota fiscal, mas
o resultante da soma deste com todos os gastos necessários para a colocação do
produto em condições de venda.
Normalmente,
serão os custos de fretes e seguros que aparecerão com maior frequência.
EXEMPLO:
Valor pago ao
fornecedor $ 1.000,00
Fretes pagos ao
transportador $ 50,00
Prêmio de
seguros sobre fretes $ 30,00
Custo de
aquisição $ 1.080,00
Considerando que
os valores foram pagos a prazo, tem-se o seguinte lançamento contábil:
Contas Débito
Crédito estoques 1.080,00
Duplicatas a
pagar 1.000,00
Fretes a pagar
50,00
Seguros a pagar
30,00
total 1.080,00
1.080,00
Quanto ao
tratamento de mercadorias com tributação (IPI e ICMS) o procedimento seria:
DADOS:
Compra Venda
Valor da
mercadoria 1.000,00 1.800,00
Valor do IPI
(10%) 100,00
Valor total da
nota 1.100,00 1.800,00
Valor do ICMS
(17%) 170,00 306,00
Os materiais
quando adquiridos são ativados no grupo denominado de ESTOQUES, ocorrendo a
baixa pela efetiva utilização, seja ela na produção (ex: matéria-prima) e no consumo
(ex: material de expediente).
Os estoques
representam um dois mais importantes grupos do conjunto patrimonial, sendo
classificado como ativo circulante. A sua correta determinação é imprescindível
no momento da apuração do resultado do exercício, por tratar-se de um dos componentes
do cálculo do lucro líquido.
Conceitualmente,
é possível identificar estoques como bens adquiridos ou produzidos, com o
objetivo de venda ou utilização pela empresa, em suas atividades operacionais.
A contabilização
de compras de itens de estoques, assim como o das vendas a terceiros, dever ser
o da transmissão do direito de propriedade dos mesmos. Dessa forma, a composição
dos estoques deve-se dar pela posse de direito e não pela posse física.
Os estoques são
compostos por:
a) itens que
existem fisicamente em estoques, excluindo-se os que estão fisicamente na empresa
mas que são de propriedade de terceiros (consignações);
b) itens
adquiridos pela empresa, mas que estão em trânsito, a caminho na data do balanço;
c) itens da
empresa que foram remetidos para terceiros em consignação;
d) itens de
propriedade da empresa que estão em poder de terceiros para armazenagem, beneficiamento,
embarque etc.
CÁLCULO DO CUSTO
DOS PRODUTOS VENDIDOS E DAS MERCADORIAS VENDIDAS.
O controle de
estoques, como já descrito, é base para a apuração do custo dos produtos vendidos.
Esse cálculo, por sua vez, por ser efetuado seguindo-se o sistema de controle de
estoques. As possibilidades existentes são compostas pelo método de controle
periódico e pelo
método de controle permanente.
O método de
controle periódico parte do inventário inicial e final, objetivando encontrar o
valor para a apuração do resultado. Neste, não é controlado o estoque a cada
operação de entrada e saída de insumos, ou seja, o estoque tem seu controle
realizado pelo levantamento físico (inventário).
O método de
controle permanente exige a escrituração de todos os fatos de entrada e baixa
de insumos em fichas especiais, atualizado o sistema contábil no momento em que
os fatos ocorrem ( venda, compra e consumo).
Na sequência
discute-se a composição dos custos com materiais em empresas comerciais e
industriais. Em empresas comerciais denomina-se custo da mercadoria vendida –
CMV, já nas empresas industriais a utiliza-se a expressão custo do produto vendido
– CPV.
a) EMPRESAS COMERCIAIS
Nas empresas
comerciais, a fórmula é simples, pois as entradas são representadas somente
pelas compras de mercadorias destinadas à revenda. Porém o critério de apuração
do CMV pode ser realizado pelo método permanente ou periódico.
PERMANENTE – efetua-se o
controle do estoque a cada aquisição e baixa de mercadorias, podendo calcular o
custo das mercadorias pelos critérios PEPS, UEPS e MËDIA.
EXEMPLO:
NA COMPRA:
Debita-se estoque,
debita-se ICMS a recuperar e credita-se fornecedores.
NA VENDA:
D CMV D Caixa D
ICMS
C Estoques C
Venda C ICMS Pagamento.
Lançamentos
(comércio – método de controle permanente):
1º aquisição da
mercadoria a vista.
D – estoque de
mercadorias $ 930,00
D – ICMS a
recuperar $ 170,00
C – Caixa $
1.100,00
2º venda da
mercadoria a vista
D – Caixa $
1.800,00
C – Vendas de
mercadorias $ 1.800,00
D – ICMS
c/despesa $ 306,00
C – ICMS a
recolher $ 306,00
D – CMV $ 930,00
C – Estoque de
mercadorias $ 930,00
3º Compensação
do ICMS (recolher e recuperar)
D – ICMS a
recolher $ 170,00
C – ICMS a
recuperar $ 170,00
Saldo da conta
ICMS a recolher (306,00 – 170,00 = 136,00).
4º pagamento do
ICMS
D – ICMS a
recolher $ 136,00
C – Caixa $
136,00
DRE destes fatos
Receita bruta $
1.800,00
( - ) impostos
s/vendas $ (306,00)
(=) Receita
Líquida $ 1.494,00
(-) CMV $ 930,00
(=) Lucro Bruto
$ 564,00
PERIÓDICO: efetua-se a
apuração do CMV no final do exercício, por meio da fórmula:
CMV = EI + C – D
– EF
ONDE:
CMV = custo das
mercadorias vendidas
EI = estoque
inicial
C = compras ou
entradas do período (frete, IPI etc.)
D = deduções
(devolução de mercadoria, descontos etc.)
EF = estoque
final
b) EMPRESAS INDUSTRIAIS
Na indústria,
todavia, as entradas representam a produção completada no período, sendo que
para tais empresas é necessário um sistema de Contabilidade de Custos cuja complexidade
vai depender da estrutura do sistema de produção, das necessidades internas
etc.
APURAÇÃO DO CPV
1 Estoque
Inicial de Mat. Direto (EIMD)
2 (+) Compras de
Mat. Direto
3 (-) Estoque
Final de Mat. Direto (EFMD)
4 (=) Material
Direto Consumido (MD)
5 (+) Mão-de-bra
Direta (MOD)
6 (+) Custos
Indiretos de fabricação (CIF)
7 (=) Custo de
Produção do Período (CPP)
8 (+) Estoque
inicial de prod. em elaboração (EIPA)
9 (-) Estoque
final de prod. em elaboração (EFPE)
10 (=) Custo
produção acabada (CPA)
11 (+) Estoque
inicial de prod. acabados (EIPA)
12 (-) Estoque
final de prod. acabados (EFPA)
13 (=) Custo dos
Produtos Vendidos (CPV)
O tratamento
tributário para as diversas empresas pode ser resumido da seguinte maneira,
quanto o inclusão ou não do tributo ao custo do produto/serviço:
EMPRESA INDUSTRIAL COMERCIAL SERVIÇOS
Exclui o IPI
Inclui o IPI Inclui o IPI
Exclui o ICMS
Exclui o ICMS Inclui o ICMS
Recupera o IPI
Recupera o ICMS Não recupera o
e o ICMS e não o
IPI IPI nem o ICMS
COMO REGRA GERAL, É POSSÍVEL AFIRMAR:
- Para uma
empresa industrial que adquire matéria-prima pagando IPI e ICMS, nenhum destes
impostos representará custo, uma vez que ao vender o produto final, a empresa
recuperará do cliente os impostos sobre as vendas.
- Já para uma
empresa comercial que compra da indústria e vende ao consumidor final, o IPI
deve ser incluído no custo da mercadoria, apesar de encontrar-se na nota fiscal,
e o ICMS deve ser excluído, apesar de fazer parte do preço.
- Para a empresa
prestadora de serviços, que não terá a possibilidade de recuperar nem o IPI nem
o ICMS, já que está sujeito ao ISSQN, tanto o IPI como o ICMS tornam-se custos.
CONTABILIZAÇÃO
DE FATOS QUE ALTERAM OS VALORES DAS COMPRAS E VENDAS.
1. Devolução e abatimentos.
Devolução:
D – (-)
Devolução de vendas
C - Caixa
Abatimentos:
D – (-)
Abatimento sobre vendas
C - Caixa
OBS: As contas
de devolução e abatimentos são contas de saldo original devedor, mas classificadas
no plano geral de contas como redutoras das receitas. Assim, os saldos de tais
contas, no fim do período, serão jogados contra o saldo das vendas, para apuração
do valor das vendas líquidas.
D - vendas
C - devolução de
vendas
C - abatimento
s/ vendas
EXEMPLO:
Vendas....112.000,
(-)
devolução....3.000,
(-)
abatimento....2.000,
CMV....85.000
DRE
Vendas brutas
112.000
(-) devolução
3.000
(-) abatimento
2.000
Venda líquida
107.000
(-) CMV 85.000
(=) Lucro Bruto
22.000
CRITÉRIOS DE
AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES (MATERIAIS):
Os métodos de
avaliação de estoques objetivam, exclusivamente, separar o custo dos materiais,
mercadorias e produtos entre o que foi consumido ou vendido e o que permaneceu
em estoque.
Se diversos
materiais iguais forem comprados por preços diferentes, principalmente, por terem
sido adquiridos em datas diferentes, e forem intercambiáveis entre si, algumas alternativas
de avaliação poderão ser adotadas:
A) PREÇO MÉDIO:
O critério mais
utilizado no Brasil é o do Preço Médio para a avaliação dos estoques (consequentemente
para a do custo dos materiais utilizados). Podemos, no entanto fixar pelo menos
dois tipos diferentes de Preço Médio: Móvel e Fixo.
A1) PREÇO MÉDIO
PONDERADO MÓVEL (PMPM)
É assim chamado
aquele mantido por empresas com controle constante de seus estoques e que por
isso atualiza seu preço médio após cada aquisição. Nesse caso.
CÁLCULO:
Dia 17 = $
33.300 / 3.000kg = $ 11,10 kg
Quantidade
Utilizada x preço médio = custo da matéria-prima.
3.200 kg x $
11,10 = $ 24.420,00
Dia 29 =
(800+1200) / ($8.880+15.600) = $ 12,24
1.000 kg x $
12,24 = $ 12.240,00
Matéria-prima
total aplicada no mês = $ 24.420,00 + 12.240 = $ 36.600,00
A2) PREÇO MÉDIO
PONDERADO FIXO (PMPF)
Utilizado quando
a empresa calcula o preço médio apenas após o encerramento do período ou quando
decide apropriar a todos os produtos elaborados no exercício ou mês um único
preço por unidade (kg, neste exemplo):
CÁLCULO:
PMPF do Mês = $
48.900/ 4.200 kg = $ 11,643/kg
Dia 17 = 2.200
kg x $ 11,643kg = $ 25.614,00
Dia 29 = 1.000
kg x $ 11,643kg = $ 11.643,00
Matéria-prima
total aplicada no mês = $ 37.257,00
B) PRIMEIRO A
ENTRAR É O PRIMEIRO A SAIR (PEPS – FIRST-IN, FIRST-OUT)
Neste critério,
o material é custeado pelos preços mais antigos, permanecendo os mais recentes
em estoque.
CÁLCULO:
Dia 17 – matéria-prima
utilizada (2.200 kg) = 1.000 kg x $ 10,00/kg = $ 10.000,00
1.200 kg x $ 11,65/kg = $ 13.980,00
$ 23.980,00
Dia 29 – matéria-prima
utilizada (1.000 kg) = 800 kg x $ 11,65/kg = $ 9.320,00
200 kg x $ 13,00/kg = $ 2.600,00
$ 11.920,00
Total da
matéria-prima utilizada = $ 35.900,00
C) ÚLTIMO A
ENTRAR PRIMEIRO A SAIR (UEPS – LAST-IN, FIRST-OUT)
CÁLCULO:
Dia 17 – matéria-prima
utilizada (2.200 kg) = 2.000kg x $ 11,65/kg = $ 23.300,00
200kg x $ 10,00/kg = $ 2.000,00
$ 25.000,00
Dia 29 –
matéria-prima utilizada (1.000 kg) = 1.000kg x $ 13,00/kg = $ 13.000,00
Total da
matéria-prima utilizada = $ 38.300,00
Este critério
permite a apropriação durante o mês ou após, alterando o custo total da MP utilizada.
OBSERVAÇÃO:
A Legislação
brasileira não está mais aceitando o PMPF se for calculado com base nas compras
de um período maior que o prazo de rotação do estoque. Realmente, não faz sentido
avaliar pelo preço médio das compras do ano os estoques adquiridos nos últimos três
meses, por exemplo. Também não aceita a utilização do critério UEPS.