domingo, 24 de março de 2013

CÁLCULOS FINAIS



O MLC – mapa de localização de custos é um instrumento metodológico de alocação dos custos indiretos, partindo do rateio dos CIF aos departamentos produtivos e auxiliares, dos auxiliares aos produtivos e dos produtivos aos produtos.
Ou seja, a alocação dos custos indiretos de fabricação (CIF) pode ser feita utilizando-se o Mapa de Localização de Custos (MLC).

a) Primeiramente a segregação no MLC entre os departamentos auxiliares (não agregam valor ao produto – administração, manutenção etc.) e produtivos (agrega valor aos produtos – corte, costura, prensa etc.).
b) Em seguida, os CIF são alocados, com bases de rateio específicas a cada departamento;
c) Na terceira etapa os CIF dos departamento auxiliares são transferidos para os departamentos produtivos, seguindo critérios racionais de alocação.
d) Por fim, ocorre a alocação do CIF dos departamentos produtivos aos portadores finais (produtos).

CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS

A forma de contabilização dos custos pode ser variada. Existem desde os critérios mais simples até os mais complexos. O exemplo a ser apresentado não tem muita complexidade, mas dependendo do método adotado pela entidade pode ocorrer a necessidade de utilizar-se métodos de contabilização mais detalhados.
Admitindo que a empresa tenha resolvido, contabilizar, com base no critério de rateio de CIF (Custos Indiretos de Fabricação), à base do valor da Mão-de-obra Direta, o procedimento de escrituração poderia ser:

a) CRITÉRIO SIMPLES: Contabilização dos Custos pela Contabilidade em contas apropriadas, com transferência direta para os estoques à medida que os produtos são acabados ou então só no fim do período, sem registro das fases de rateio:
Matéria-prima consumida 350.000
Mão-de-obra 120.000
Depreciação 60.000
Seguro da fábrica 10.000
Materiais diversos 15.000
Energia elétrica 85.000
Manutenção da fábrica 70.000

As contas de despesas, por não interessarem, ficam fora. Os Custos acima serão distribuídos diretamente às contas de estoques:

Débito: Estoques:
Produto A.................... 170.000
Produto B.................... 319.500
Produto C.................... 220.500
$ 710.000

Crédito: Custos:
Matéria-prima Consumida........ 350.000
Mão-de-obra (Salário Fáb)...... 120.000
Depreciação Fábrica............ 60.000
Seguros Fábrica................ 10.000
Materiais Diversos Fábrica..... 15.000
Energia Elétrica Fábrica....... 85.000
Manutenção Fábrica............. 70.000
$ 710.000

Neste exemplo, é possível argumentar que lançamentos tão simplificados não fornecem uma boa visão de como foi feita a distribuição dos custos. Entretanto, havendo um bom sistema de arquivo, as melhores fontes dessas informações sobre distribuição serão sempre os mapas, e não o diário e o razão da contabilidade.

b) CRITÉRIO COMPLEXO - a forma mais complexa para contabilização dos custos seria representada pelo detalhamento dos mapas de custos.

Débito:
Mão-de-obra direta.................... 90.000
Mão-de-obra indireta.................. 30.000
120.000

Credito:
Mão-de-obra(salário fábrica)........ 120.000

Débito:
Energia elétrica direta............... 45.000
Energia elétrica indireta............. 40.000
85.000

Crédito:
Energia elétrica fabrica............ 85.000

Débito: Estoques:
Produto A............................75.000
Produto B...........................135.000
Produto C ..........................140.000
350.000

Crédito: Matéria prima consumida............350.000

Débito: Estoques:
Produto A............................22.000
Produto B............................47.000
Produto C............................21.000
90.000

Crédito: Mão-de-obra direta..................90.000

Débito: Estoques:
Produto A............................18.000
Produto B............................20.000
Produto C............................ 7.000
45.000

Crédito: Energia elétrica direta.............45.000

Débito: Estoques:
Produto A............................ 55.000
Produto B........................... 17.500
Produto C............................ 52.500
225.000

Crédito: Custos indiretos:
Mão-de-obra indireta............... 30.000
Energia elétrica indireta........... 40.000
Depreciação fabrica................. 60.000
Seguros fábrica..................... 10.000
Materiais diversos.................. 15.000
Manutenção fábrica.................. 70.000
225.000

4ª FASE - EXECUÇÃO

Após a montagem do plano, no qual foram planejadas passo a passo as etapas do trabalho a ser realizado, parte-se para a execução, momento onde será literalmente aplicado o plano de ação ou seja, coloca-se em prática, com base nos objetivos propostos, o sistema de custos.
A execução pode ser entendida como a fase na qual se buscará aplicar o pensamento em relação a contabilidade de custos elaborado de acordo com as necessidades, os objetivos e os recursos da entidade.
Primeiramente inicia-se a coleta das informações (conjunto de gastos e dados físicos/quantitativos), que serão posteriormente classificadas/trabalhadas de acordo com o método proposto (ABC, Absorção etc.). Na sequências parte-se para a fase de cálculos, podendo ser manual ou informatizada, originando os diversos relatórios projetados (custos diretos, custos departamentais, custos totais etc.). Com base nos relatórios efetua-se a contabilização de tais dados, sendo que se o método for aceito pela legislação não existe a necessidade de proceder ajustes, caso contrário deverão ser
realizados. Também com base nos relatórios gerados, a administração poderá formar seu preço de venda (caso utilize o sistema de custos como base).

1. COLETA
2. APLICAÇÃO DO MÉTODO (Sistema de custeamento)
3. CÁLCULO DO CUSTO (geração de relatórios – custo total, unitário etc.)
4. TRANSFERÊNCIA PARA ESTOQUES (contabilização)
5. FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA

5ª FASE - ANÁLISE / AVALIAÇÃO

Quando do término dos trabalhos burocráticos (aplicação do plano de custos), os quais originaram diversos relatórios, cabe ao profissional da área realizar a avaliação e análise dos resultados, verificando se os resultados encontrados refletem a realidade, se anular as necessidades da entidade e se atenderam aos objetivos do sistema. Ponto de equilíbrio – criado por Henry Hess

6ª FASE – COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS

Concluídas todas as fases dos processo de apuração/análise/avaliação do sistema de custo, deve-se comunicar os resultados encontrados à administração, objetivando uma  avaliação conjunta e global dos fatos ocorridos e dos procedimentos adotados, buscando realimentar o sistema, aprimorando-o constantemente.

sábado, 23 de março de 2013

CUSTO DE MATÉRIAS.



CÁLCULO DOS CUSTOS COM MATERIAIS (estoques)

Os materiais abrangem uma vasta gama de insumos, suprimentos, produtos e mercadorias.

·  insumos são todos os materiais necessários no processo de produção de bens e serviços.
· suprimentos são todos os materiais necessários ao preenchimento das condições de funcionamento das instalações e equipamentos.
·  produtos são os exsumos da produção e ou fabricação próprias, resultado da transformação de bens e serviços em outros bens e serviços.
·  mercadorias são bens adquiridos pela empresa, para revenda, sem transformação.

A contabilidade de materiais diz respeito ao levantamento, registro e fornecimento de dados envolvendo a circulação de materiais na empresa. O custo dos materiais adquiridos deve incluir todos os gastos necessários para que eles chegue ao estabelecimento da entidade compradora.
Na realidade o custo de uma mercadoria adquirida não é somente o constante da nota fiscal, mas o resultante da soma deste com todos os gastos necessários para a colocação do produto em condições de venda.
Normalmente, serão os custos de fretes e seguros que aparecerão com maior frequência.

EXEMPLO:

Valor pago ao fornecedor $ 1.000,00
Fretes pagos ao transportador $ 50,00
Prêmio de seguros sobre fretes $ 30,00
Custo de aquisição $ 1.080,00
Considerando que os valores foram pagos a prazo, tem-se o seguinte lançamento contábil:
Contas Débito Crédito estoques 1.080,00
Duplicatas a pagar 1.000,00
Fretes a pagar 50,00
Seguros a pagar 30,00
total 1.080,00 1.080,00

Quanto ao tratamento de mercadorias com tributação (IPI e ICMS) o procedimento seria:

DADOS:

Compra Venda
Valor da mercadoria 1.000,00 1.800,00
Valor do IPI (10%) 100,00
Valor total da nota 1.100,00 1.800,00
Valor do ICMS (17%) 170,00 306,00

Os materiais quando adquiridos são ativados no grupo denominado de ESTOQUES, ocorrendo a baixa pela efetiva utilização, seja ela na produção (ex: matéria-prima) e no consumo (ex: material de expediente).
Os estoques representam um dois mais importantes grupos do conjunto patrimonial, sendo classificado como ativo circulante. A sua correta determinação é imprescindível no momento da apuração do resultado do exercício, por tratar-se de um dos componentes do cálculo do lucro líquido.
Conceitualmente, é possível identificar estoques como bens adquiridos ou produzidos, com o objetivo de venda ou utilização pela empresa, em suas atividades operacionais.
A contabilização de compras de itens de estoques, assim como o das vendas a terceiros, dever ser o da transmissão do direito de propriedade dos mesmos. Dessa forma, a composição dos estoques deve-se dar pela posse de direito e não pela posse física.
Os estoques são compostos por:

a) itens que existem fisicamente em estoques, excluindo-se os que estão fisicamente na empresa mas que são de propriedade de terceiros (consignações);
b) itens adquiridos pela empresa, mas que estão em trânsito, a caminho na data do balanço;
c) itens da empresa que foram remetidos para terceiros em consignação;
d) itens de propriedade da empresa que estão em poder de terceiros para armazenagem, beneficiamento, embarque etc.

CÁLCULO DO CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS E DAS MERCADORIAS VENDIDAS.

O controle de estoques, como já descrito, é base para a apuração do custo dos produtos vendidos. Esse cálculo, por sua vez, por ser efetuado seguindo-se o sistema de controle de estoques. As possibilidades existentes são compostas pelo método de controle
periódico e pelo método de controle permanente.
O método de controle periódico parte do inventário inicial e final, objetivando encontrar o valor para a apuração do resultado. Neste, não é controlado o estoque a cada operação de entrada e saída de insumos, ou seja, o estoque tem seu controle realizado pelo levantamento físico (inventário).
O método de controle permanente exige a escrituração de todos os fatos de entrada e baixa de insumos em fichas especiais, atualizado o sistema contábil no momento em que os fatos ocorrem ( venda, compra e consumo).
Na sequência discute-se a composição dos custos com materiais em empresas comerciais e industriais. Em empresas comerciais denomina-se custo da mercadoria vendida – CMV, já nas empresas industriais a utiliza-se a expressão custo do produto vendido – CPV.

a) EMPRESAS COMERCIAIS

Nas empresas comerciais, a fórmula é simples, pois as entradas são representadas somente pelas compras de mercadorias destinadas à revenda. Porém o critério de apuração do CMV pode ser realizado pelo método permanente ou periódico.

PERMANENTE – efetua-se o controle do estoque a cada aquisição e baixa de mercadorias, podendo calcular o custo das mercadorias pelos critérios PEPS, UEPS e MËDIA.
EXEMPLO:

NA COMPRA:
Debita-se estoque, debita-se ICMS a recuperar e credita-se fornecedores.

NA VENDA:
D CMV D Caixa D ICMS
C Estoques C Venda C ICMS Pagamento.

Lançamentos (comércio – método de controle permanente):

1º aquisição da mercadoria a vista.

D – estoque de mercadorias $ 930,00
D – ICMS a recuperar $ 170,00
C – Caixa $ 1.100,00

2º venda da mercadoria a vista

D – Caixa $ 1.800,00
C – Vendas de mercadorias $ 1.800,00
D – ICMS c/despesa $ 306,00
C – ICMS a recolher $ 306,00
D – CMV $ 930,00
C – Estoque de mercadorias $ 930,00

3º Compensação do ICMS (recolher e recuperar)

D – ICMS a recolher $ 170,00
C – ICMS a recuperar $ 170,00
Saldo da conta ICMS a recolher (306,00 – 170,00 = 136,00).

4º pagamento do ICMS

D – ICMS a recolher $ 136,00
C – Caixa $ 136,00

DRE destes fatos

Receita bruta $ 1.800,00
( - ) impostos s/vendas $ (306,00)
(=) Receita Líquida $ 1.494,00
(-) CMV $ 930,00
(=) Lucro Bruto $ 564,00

PERIÓDICO: efetua-se a apuração do CMV no final do exercício, por meio da fórmula:

CMV = EI + C – D – EF

ONDE:

CMV = custo das mercadorias vendidas
EI = estoque inicial
C = compras ou entradas do período (frete, IPI etc.)
D = deduções (devolução de mercadoria, descontos etc.)
EF = estoque final

b) EMPRESAS INDUSTRIAIS

Na indústria, todavia, as entradas representam a produção completada no período, sendo que para tais empresas é necessário um sistema de Contabilidade de Custos cuja complexidade vai depender da estrutura do sistema de produção, das necessidades internas etc.

APURAÇÃO DO CPV

1 Estoque Inicial de Mat. Direto (EIMD)
2 (+) Compras de Mat. Direto
3 (-) Estoque Final de Mat. Direto (EFMD)
4 (=) Material Direto Consumido (MD)
5 (+) Mão-de-bra Direta (MOD)
6 (+) Custos Indiretos de fabricação (CIF)
7 (=) Custo de Produção do Período (CPP)
8 (+) Estoque inicial de prod. em elaboração (EIPA)
9 (-) Estoque final de prod. em elaboração (EFPE)
10 (=) Custo produção acabada (CPA)
11 (+) Estoque inicial de prod. acabados (EIPA)
12 (-) Estoque final de prod. acabados (EFPA)
13 (=) Custo dos Produtos Vendidos (CPV)

O tratamento tributário para as diversas empresas pode ser resumido da seguinte maneira, quanto o inclusão ou não do tributo ao custo do produto/serviço:

EMPRESA INDUSTRIAL COMERCIAL SERVIÇOS

Exclui o IPI Inclui o IPI Inclui o IPI
Exclui o ICMS Exclui o ICMS Inclui o ICMS
Recupera o IPI Recupera o ICMS Não recupera o
e o ICMS e não o IPI IPI nem o ICMS

COMO REGRA GERAL, É POSSÍVEL AFIRMAR:

- Para uma empresa industrial que adquire matéria-prima pagando IPI e ICMS, nenhum destes impostos representará custo, uma vez que ao vender o produto final, a empresa recuperará do cliente os impostos sobre as vendas.
- Já para uma empresa comercial que compra da indústria e vende ao consumidor final, o IPI deve ser incluído no custo da mercadoria, apesar de encontrar-se na nota fiscal, e o ICMS deve ser excluído, apesar de fazer parte do preço.
- Para a empresa prestadora de serviços, que não terá a possibilidade de recuperar nem o IPI nem o ICMS, já que está sujeito ao ISSQN, tanto o IPI como o ICMS tornam-se custos.

CONTABILIZAÇÃO DE FATOS QUE ALTERAM OS VALORES DAS COMPRAS E VENDAS.

1. Devolução e abatimentos.

Devolução:
D – (-) Devolução de vendas
C - Caixa

Abatimentos:

D – (-) Abatimento sobre vendas
C - Caixa

OBS: As contas de devolução e abatimentos são contas de saldo original devedor, mas classificadas no plano geral de contas como redutoras das receitas. Assim, os saldos de tais contas, no fim do período, serão jogados contra o saldo das vendas, para apuração do valor das vendas líquidas.

D - vendas
C - devolução de vendas
C - abatimento s/ vendas

EXEMPLO:

Vendas....112.000,
(-) devolução....3.000,
(-) abatimento....2.000,
CMV....85.000

DRE

Vendas brutas 112.000
(-) devolução 3.000
(-) abatimento 2.000
Venda líquida 107.000
(-) CMV 85.000
(=) Lucro Bruto 22.000

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES (MATERIAIS):

Os métodos de avaliação de estoques objetivam, exclusivamente, separar o custo dos materiais, mercadorias e produtos entre o que foi consumido ou vendido e o que permaneceu em estoque.
Se diversos materiais iguais forem comprados por preços diferentes, principalmente, por terem sido adquiridos em datas diferentes, e forem intercambiáveis entre si, algumas alternativas de avaliação poderão ser adotadas:

A) PREÇO MÉDIO:

O critério mais utilizado no Brasil é o do Preço Médio para a avaliação dos estoques (consequentemente para a do custo dos materiais utilizados). Podemos, no entanto fixar pelo menos dois tipos diferentes de Preço Médio: Móvel e Fixo.

A1) PREÇO MÉDIO PONDERADO MÓVEL (PMPM)

É assim chamado aquele mantido por empresas com controle constante de seus estoques e que por isso atualiza seu preço médio após cada aquisição. Nesse caso.

CÁLCULO:

Dia 17 = $ 33.300 / 3.000kg = $ 11,10 kg

Quantidade Utilizada x preço médio = custo da matéria-prima.

3.200 kg x $ 11,10 = $ 24.420,00
Dia 29 = (800+1200) / ($8.880+15.600) = $ 12,24
1.000 kg x $ 12,24 = $ 12.240,00

Matéria-prima total aplicada no mês = $ 24.420,00 + 12.240 = $ 36.600,00

A2) PREÇO MÉDIO PONDERADO FIXO (PMPF)

Utilizado quando a empresa calcula o preço médio apenas após o encerramento do período ou quando decide apropriar a todos os produtos elaborados no exercício ou mês um único preço por unidade (kg, neste exemplo):

CÁLCULO:

PMPF do Mês = $ 48.900/ 4.200 kg = $ 11,643/kg
Dia 17 = 2.200 kg x $ 11,643kg = $ 25.614,00
Dia 29 = 1.000 kg x $ 11,643kg = $ 11.643,00
Matéria-prima total aplicada no mês = $ 37.257,00

B) PRIMEIRO A ENTRAR É O PRIMEIRO A SAIR (PEPS – FIRST-IN, FIRST-OUT)

Neste critério, o material é custeado pelos preços mais antigos, permanecendo os mais recentes em estoque.

CÁLCULO:

Dia 17 – matéria-prima utilizada (2.200 kg) = 1.000 kg x $ 10,00/kg = $ 10.000,00
1.200 kg x $ 11,65/kg = $ 13.980,00
$ 23.980,00
Dia 29 – matéria-prima utilizada (1.000 kg) = 800 kg x $ 11,65/kg = $ 9.320,00
200 kg x $ 13,00/kg = $ 2.600,00
$ 11.920,00

Total da matéria-prima utilizada = $ 35.900,00

C) ÚLTIMO A ENTRAR PRIMEIRO A SAIR (UEPS – LAST-IN, FIRST-OUT)

CÁLCULO:

Dia 17 – matéria-prima utilizada (2.200 kg) = 2.000kg x $ 11,65/kg = $ 23.300,00
200kg x $ 10,00/kg = $ 2.000,00
$ 25.000,00
Dia 29 – matéria-prima utilizada (1.000 kg) = 1.000kg x $ 13,00/kg = $ 13.000,00

Total da matéria-prima utilizada = $ 38.300,00

Este critério permite a apropriação durante o mês ou após, alterando o custo total da MP utilizada.

OBSERVAÇÃO:

A Legislação brasileira não está mais aceitando o PMPF se for calculado com base nas compras de um período maior que o prazo de rotação do estoque. Realmente, não faz sentido avaliar pelo preço médio das compras do ano os estoques adquiridos nos últimos três meses, por exemplo. Também não aceita a utilização do critério UEPS.

sexta-feira, 22 de março de 2013

ALGUMAS FORMULAS DE CALCULO DE CUSTO




PROCEDIMENTOS e FORMAS DE CÁLCULO

Procedimento é uma série de passos lógicos, através dos quais todas as ações repetitivas numa empresa são iniciadas, executadas, controladas e finalizadas. Um procedimento define que ação é requerida, quem a executa, onde será efetivada e quando a ação deve
ser realizada (sua essência é a sequência cronológica e sua implementação é transformada em resultados de ação).
Os conjuntos de procedimentos que integram um sistema acabam por se constituir num canal invisível, segundo o qual as ações são executadas e os dados transportados. Ao analisar o conjunto de procedimentos, na visão sistêmica, verifica-se que o papel mais importante desses procedimentos é servir de canal transportador, porém além deste destaca-se que, por meio dos procedimentos as ações/transações repetitivas são executadas com maior ou menor grau de confiabilidade.
Os procedimentos permitem a execução de ciclos completos de ação. Por exemplo, o recebimento de matéria-prima inicia no instante em que o fornecedor chegou na entidade, na sequência tem-se procedimentos de conferência, descarga, registros etc.

CÁLCULO DOS CUSTOS PATRIMONIAIS

O patrimônio é constituído de direitos e obrigações, esses direitos subdividem-se em vários subgrupos, ordenados de acordo com o critério de liquidez.
Os custos patrimoniais representam parcelas deduzidas a cada período de determinados direitos, mais precisamente de alguns dos componentes do Ativo Permanente, configurando-se em custos que devem ser apropriados conforme o princípio da competência. Os custos patrimoniais são tratados, na sua grande maioria, como custos
indiretos e fixos, porém se observado o princípio da cuasação poderão ser classificados em diretos e/ou variáveis.
Ou seja, os custos patrimoniais são tratados geralmente como custos indiretos e fixos, razão pela qual devem ser setorizados através de instrumentos tais como o mapa de rateio de custos, isto antes da sua apropriação aos produtos.
É sobre o Ativo Permanente (Imobilizado e diferido) que são apurados os custos patrimoniais. Para melhor realizar estes cálculos deve-se registrar os meios patrimoniais em contas distintas, ressaltando o seu valor de aquisição (princípio do valor original), bem como as sucessivas e periódicas atualizações monetárias (princípio da atualização monetária) e eventualmente as reavaliações dos bens, decorrentes de manutenções, agregações etc.

Para compreender melhor o que compõe este grupo patrimonial serão apresentadas suas respectivas contas:

Ativo permanente
Investimentos
Imobilizado
Terrenos
Obras civis
Instalações
Máquinas e equipamentos
Móveis e Utensílios
Veículos
Marcas e Patentes
Florestamento e reflorestamento
Direitos sobre recursos naturais (jazidas)
(-) Depreciação acumulada
(-) Amortização acumulada
(-) Exaustão acumulada
DIFERIDO
Despesas pré-operacionais
Despesas com pesquisas
(-) Amortização acumulada

Segundo a Lei nº 6.404/76 artigo 183, a diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado e do diferido deverá ser calculada e, em seguida, registrada periodicamente nas contas de:

A) depreciação
B) exaustão
C) amortização

Por sua vez, a base de cálculo para depreciação, amortização e exaustão será:

a) custo corrigido, assim entendido o custo histórico ajustado pela atualização monetária;
b) valor de reavaliação decorrente de novas avaliações efetuadas no ativo imobilizado.

Os custos patrimoniais são geralmente tratados como custos indiretos e fixos, isto dependendo do método de cálculo utilizado, ou seja, cada caso é um caso. No entanto, sendo classificados como custos indiretos e fixos, devem ser primeiramente setorizados, por meio de instrumentos tais como o mapa de localização de custos (MLC), antes de sua apropriação aos portadores finais.
Seguindo o princípio da causação, sempre que possível deve-se objetivar transformar os custos indiretos em custos diretos, assim, em alguns casos a depreciação, a amortização e a exaustão podem ser consideradas como custos diretos, aprimorando o sistema de custeamento.

DEPRECIAÇÃO

O conceito de depreciação começou a ser trabalhado no início da revolução industrial.
Desde lá, ele vem evoluindo de acordo com os avanços do conhecimento contábil.
Quase todos os recursos aplicados no Ativo Permanente Imobilizado têm um período limitado de vida útil econômica, com exceção dos bens não perecíveis (Ex.: terrenos).
Isso corresponde à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgastes (deterioração) ou perda de utilidade (obsolescência). Dessa forma, o custo de tais ativos deve ser alocado aos exercícios beneficiados pelo seu uso no decorrer de sua vida útil (conforme rege o princípio da competência).
Em virtude da depreciação representar uma quota do gasto que a imobilização perecível sofreu, ela deve ser alocada gradativamente, conforme o ciclo de vida estimado do direito, assim, somos forçados a compreender que a imobilização configura-se inicialmente num investimento e posteriormente em custos ou despesas.
É capital observar que as depreciações devem ser entendidas contabilmente, mais como “reintegrações de capital” que como “desgaste físico”.
A “depreciação representa, em termos econômicos, a perda de valor dos bens materiais integrantes do ativo imobilizado de uma entidade. Já na sua visa puramente financeira, o processo de transferência de valores do imobilizado para o ativo circulante, até o disponível, desde que, a receita gerada pelos produtos ou serviços que a causaram, permita a sua recuperação integral”.

A DEPRECIAÇÃO TEM COMO CAUSAS/ORIGENS BÁSICAS:

CAUSAS FÍSICAS

a) Depreciação por funcionamento (uso) – as variáveis mais comuns são: intensidade de utilização do ativo, manutenção adequada e grau de resistência do ativo.
b) Depreciação pela ação de elementos naturais – como variação de temperatura, umidade, chuvas, poeira, ferrugem etc.
c) Depreciação por acidentes – causados por imperícias quando decorre de fenômenos naturais como: raios, terremotos, inundações, secas prolongadas. Neste caso, quando as perdas forem totais ou significativas, devem ser classificadas como custos não-operacionais, por não apresentarem correlação necessária com as atividades desenvolvidas. Caso tiver indenizações de seguros, a perda será a diferença entre os dois montantes.

CAUSAS ECONÔMICAS

a) Depreciação por obsolescência técnica (perecimento) – o equipamento mantém sua condição produção, mas em proporções inferiores em termos de qualidade e produtividade comparado com similares existentes no mercado. Quando um ativo é superado por novas tecnologias.
b) Depreciação por obsolescência mercadológica – quando não existe mercado para a produção (desuso). Equipamento inútil. Neste caso, a vida técnica é maior que a vida mercadológica. Exemplos: moldes, modelos etc.
A Secretaria da Receita Federal baixou em 26/07/00 a IN Srf nº 162/98, que trás as taxas de depreciação aplicáveis aos bens pertencentes a pessoa jurídica.
Contudo, nada impede da empresa vir a dotar taxas diferentes, para efeitos de adequar às suas necessidades e condições de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação ( art. 310, par 1º do RIR/99).

Tabela de algumas das taxas de depreciação Bens Prazo de vida útil (anos) Taxa anual de depreciação:

Instalações 10,10%
Edificações 25,4%
Animais vivos 5,20%
Artigos de embalagem de plástico 5,20%
Obras de madeira 5,20%
Materiais de couro 2,50%
Materiais de borracha 2,50%

MÉTODOS DE DEPRECIAÇÃO

A) MÉTODO DA QUOTA FIXA (OU CONSTANTE, LINEAR, LINHA RETA)
O mais simples é o da depreciação por quota fixa, por período de tempo, ou por unidades produzidas, conhecido como depreciação em linha reta (ou método linear – devido a sua simplicidade), onde a taxa é encontrada efetuando-se a divisão do valor a ser depreciado pelo tempo de vida útil do bem.

FÓRMULA:

D = (C – Vr) / n

Onde:

D – depreciação
C – Custo inicial corrigido
Vr – valor residual
n – tempo de vida útil do bem

EXEMPLO:

Custo corrigido do bem (C)= $ 15.000,00
Tempo de vida útil (n) = 5 anos (60 meses)

Não há valor residual:

a) Depreciação = $ 15.000,00 / 60 meses = $ 250,00 mês

Ou ainda;

b) 60 meses equivalem a 100% - 01 mês eqüivale a taxa de 1,6667% mês

$ 15.000,00 x 1,6667% = $ 250,00 mês

Valor residual - é aquela valor que se considera como o alcançado por um bem, depois de haver incorrido sobre o mesmo as deduções de depreciação, exaustão e amortização ou quaisquer outras em decorrência da perda de capacidade funcional.

B) MÉTODO DA SOMA DOS DÍGITOS DOS ANOS (ACELERADO OU QUOTAS CRESCENTES)

Este método, preconizado pelo professor Cols (Universidade de Harward), é também um método linear, sendo calculado da seguinte maneira:

a) somam-se os algarismos que compõem o número de anos de vida útil do bem.

Seguindo o exemplo anterior teríamos:

1+2+3+4+5 = 15

b) a depreciação de cada ano é uma fração em que o denominador é a soma dos algarismos, conforme obtido em (a), e o numerador é, para o primeiro ano (n), para o segundo (n-1), para o terceiro (n-2) e assim por diante, onde n = número de anos de vida útil do bem.

ANO FRAÇÃO DEPRECIAÇÃO ANUAL

1 5/15 X $ 15.000,00 5.000,00
2 4/15 X $ 15.000,00 4.000,00
3 3/15 X $ 15.000,00 3.000,00
4 2/15 X $ 15.000,00 2.000,00
5 1/15 X $ 15.000,00 1.000,00

Este método proporciona quotas de depreciação maiores no início e menores no fim da vida útil. Permite maior uniformidade nos custos, já que os bens quando novos exigem menores gastos com manutenção e reparos.

C – MÉTODOS DE COTAS VARIÁVEIS

Neste método, o custo de depreciação pode ser mais facilmente alocado de acordo com sua produção ou horas trabalhadas. Pressupõem que o fator mais relevante é o uso e não a passagem do tempo.

C.1) MÉTODO DAS UNIDADES PRODUZIDAS

Este método é baseado numa estimativa do número total de unidades que devem ser produzidas pelo bem a ser depreciado, sendo a quota anual de depreciação expressa pela seguinte fórmula:

D = n.º unidades produzidas no período
n.º de unidades estimadas durante a vida útil do bem

C.2) MÉTODO DE HORAS DE TRABALHO

Segue o raciocínio do método das unidades produzidos, porém baseia-se nas horas trabalhadas.

FÓRMULA:

D = n.º de horas trabalhadas no período
n.º de horas estimadas durante a vida útil do bem

EXEMPLO:

Valor de aquisição do bem R$ 33.000,00 e valor residual de 15%.
·  Nº. de horas-homens-produtivas durante a vida útil do bem = 1.200.000 horashomem.
·  Nº. de horas-homens trabalhadas no mês 01 = 11.250 h/h
·  Nº de horas-homens trabalhadas no mês 02 = 13.750 h/h
D (01) = (11.250/1.200.000) x R$ 28.050,00 = R$ 262,97
D (02) = (13.750/1.200.000) x R$ 28.050,00 = R$ 321,41

LANÇAMENTO CONTÁBIL DA DEPRECIAÇÃO

A despesa/custo de depreciação é uma conta de saldo devedor que configura da demonstração do resultado do exercício, tendo no lançamento de origem a contrapartida da conta de depreciação acumulada, conta esta de saldo original credor que aparece no ativo –imobilizado, ajustando o valor da conta a qual foi realizada o procedimento.

D = despesas de depreciação ou custo de produção
C = depreciação acumulada (conta de saldo credor - retificadora do ativo imobilizado)

AMORTIZAÇÃO

As amortizações referem-se a direitos de propriedade ou posse (utilização) por tempo delimitado.
Na realidade, corresponde à perda do valor de imobilizações intangíveis ou imateriais (despesas gerais de instalações, aviamentos etc.).
No caso da amortização, somente se amortizam os imobilizados cujos valores se reduzem ao longo do tempo. Por exemplo, se uma marca é considera de grande valor, a empresa faz tudo para mantê-la válida jurídica e economicamente, e o consegue, não há razão para amortizá-la.
Para calcular a amortização existem vários métodos, sendo os mais conhecidos:

         a)    método das cotas constantes;
b) método em progressão aritmética crescente; e,
c) método em progressão aritmética decrescente.
Amortização das despesas diferidas não deve ultrapassar dez anos – lei 6.4040/76 – ver.

CÁLCULO DA AMORTIZAÇÃO:

FÓRMULA:

A = VD / n

Onde:

A = amortização
VD = valor do direito
n = n.º de períodos de duração

EXAUSTÃO (depleção)

A exaustão objetiva distribuir o custo dos recursos naturais durante o período em que eles são extraídos ou exauridos, ou ainda, quando corresponder à perda do valor do direito, decorrente da sua exploração, sendo estes recursos minerais ou florestais (petróleo, florestas, jazidas, bosques etc.), ou bens aplicados nessa exploração.
Quando as empresas industriais de natureza extrativa deixam de imputar ao seu custo de fabricação as quotas de exaustão, sucede que o se custo apurado é irreal, pois a matéria-prima extraída tem como primeiro custo a Quota de Exaustão, custo este classificado como custo direto de fabricação.
O método de cálculo de exaustão, que deve ser utilizado para fins contábeis, é o método da unidades produzidas (extraídas). De acordo com este método, deve-se estabelecer a porcentagem extraída de minérios no período em relação à possança total conhecida da mina. Tal percentual é aplicado sobre o custo de aquisição ou prospecção, corrigido monetariamente dos recursos minerais explorados. A legislação do Imposto de Renda admite como dedutível 20% da receita de exploração.

ASSIM, TEM-SE COMO EXEMPLO:

a) valor contábil atualizado das jazidas = $ 70.000,00
b) exaustão acumulada até o exercício precedente = $ 15.000,00
c) estimativa total de minérios da jazida = 100.000 toneladas
d) extração neste exercício = 15.000 toneladas
e) receita pela extração no exercício = $ 60.000,00

CÁLCULO:

·  relação da extração do ano = 15.000 t / 100.000 t = 15%
·  exaustão contábil = 15% sobre $ 70.000,00 = 10.500,00
·  exaustão dedutível = 20% sobre $ 60.000,00 = 12.000,00
·  diferença = de $ 1.500,00

D – Despesa/custo de exaustão = 10.500,00
C – Exaustão acumulada = 10.500,00

Pelo que foi demonstrado, na Contabilidade registra-se como despesa do ano, a título de exaustão, somente $ 10.500,00. Como o fisco admitia a dedução de $ 12.000,00, a diferença também deveria ser contabilizada, mas não como conta de despesas.