domingo, 16 de junho de 2013

OBTENÇÃO DE CAPITAL 2



CAPITAL DE RISCO
Antes de iniciar, convém distinguir a captação de recursos ou obtenção de capital em duas partes: a primeira, voltada para empreendedores que desejam lançar um produto e não dispõe de qualquer ativo para garantir a operação (Capital de Risco). A segunda, para empresas já atuantes no mercado, será a captação através de oferta pública de ações.
O Capital de Risco refere-se a financiamento para novos empreendimentos. Normalmente operam sem nenhuma garantia de sucesso. Trabalham com a hipótese de alavancagem e sucesso do negócio, o que certamente geraria altos lucros com a venda da patente ou da empresa propriamente dita.

CONCEITOS INICIAIS
Antes de iniciar o capítulo, alguns conceitos contábeis precisam ser relembrados.
Em um balanço, o ativo total deve equivaler ao passivo total. Assim, pode-se escrever que:

ATIVO CIRCULANTE + ARLP + ATIVO PERMANENTE
=
PASSIVO CIRCULANTE + PELP + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Paralelo a isso, é importante retomar o conceito de capital de giro líquido ou capital circulante líquido. Capital circulante líquido é a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante.
Portanto, ao substituir na equação a fórmula:

ATIVO CIRCULANTE – PASSIVO CIRCULANTE
=
CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO

TER-SE-IA:

CAP. GIRO LÍQUIDO + ARLP + ATIVO PERMANENTE
=
PELP + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Como o Capital de Giro Líquido corresponde ao:
Caixa + Outros Ativos Circulantes – Passivo Circulante, a equação final pode ser:

CAIXA = PELP + PL + PC – OUTROS AT. CIRCULANTES – AT. PERMANENTE - ARLP

Com isso, conclui-se que nos grupos em que há o sinal de + , um aumento destes provoca um aumento de caixa, enquanto que o sinal – provoca uma redução de caixa.
Aumento do exigível a longo prazo Redução do exigível a longo prazo;
Aumento do patrimônio líquido Redução do patrimônio líquido;
Aumento de passivos circulantes Redução de passivos circulantes;
Redução dos ativos circulantes Aumento dos ativos circulantes;
Redução dos ativos de longo prazo e permanentes Aumento dos ativos de longo prazo e permanentes;

CICLO OPERACIONAL E CICLO DE CAIXA
Ciclo operacional, é o ciclo completo que vai desde o momento de compra da mercadoria até o momento do recebimento de caixa. Já o ciclo de caixa, compreende o período em que os recursos da empresa foram utilizados para o pagamento dos bens e matérias-primas até o recebimento pela venda do produto acabado.
O período que vai da compra de matéria-prima até o pagamento da matéria-prima é chamado de período de contas a pagar ou período médio de pagamento. Portanto, conclui-se que o ciclo operacional é o ciclo de caixa + período médio de pagamento.
·       Compra de matéria-prima
·       Venda do produto
·       Pagamento da matéria-prima
·       Recebimento da venda do produto
·       Ciclo Operacional
·       Ciclo de caixa

CICLO OPERACIONAL E CICLO DE CAIXA – COMO CALCULAR
No ciclo operacional, pode-se dividir a linha do tempo em duas partes: uma primeira etapa que seria a idade média dos estoques ou prazo médio de estocagem. A segunda, que seria o prazo médio de recebimento.

1º passo: Calcular o prazo médio de estocagem. Informações necessárias: CMV e Estoques (Médio).

2º passo: Calcular o prazo médio de recebimento. Informações necessárias: Duplicatas a Receber e Vendas (diárias).

Em seguida, somam-se os dois prazos para encontrar o ciclo operacional.
Como o ciclo de caixa é o ciclo operacional menos o período médio de pagamento, resta saber apenas este último. O período médio de pagamento é calculado através da seguinte fórmula:

Giro de contas a pagar  =   C M V
Saldo Médio de Contas a Pagar

Período médio de pagamento  =   3 6 5
Giro de Contas a Pagar

Concluem bem em relação ao estudo dos ciclos:

“A análise do Ciclo de Caixa também indica a necessidade de determinação de ações que visem encurtá-lo, pois quanto mais longo for o Ciclo de Caixa, maior será a necessidade de recursos financeiros para o financiamento dos valores aplicados em estoques e contas a receber. Sem dúvida, a política que objetiva trabalhar com ciclos operacionais e ciclos de caixa reduzidos deverá tornar mais difícil a gestão financeira e operacional, pois exigirá lidar com recursos escassos em caixa, imporá limitações nas políticas de crédito, o que dificultará a realização das vendas, e forçará a empresa a trabalhar com estoques reduzidos de matérias-primas e produtos acabados.”

Em se tratando de investimento em ativo circulante que cubra o ciclo de caixa, depende da magnitude do investimento em ativo circulante que a empresa queira adotar:

a) Política financeira flexível: é aquela que mantém uma proporção relativamente elevada entre ativo circulante e vendas, priorizada pelo endividamento a longo prazo.
Assim, o investimento em ativo circulante seria maior, já que se teria uma manutenção de saldos mais elevados de caixa e contas a receber, além de políticas de estoque elevado e maior liberdade de crédito junto ao cliente.

b) Política financeira restritiva ou agressiva: é aquela que mantém um quociente baixo entre o ativo circulante e vendas, priorizada pelo endividamento de curto prazo.

Assim, o investimento em ativo circulante é menor, já que se mantém saldos mais reduzidos de caixa e contas a receber, além de políticas de estoque reduzido e redução de vendas a prazo.
Naturalmente, como a política agressiva exige um volume menor de investimento no ativo circulante, algumas outras consequências podem ocorrer: um volume de vendas menor em virtude do crédito restrito, falta de mercadoria em estoque para o cliente, interrupções no processo produtivo por falta de estoque. Portanto, o importante é equilibrar os custos envolvidos com os investimento no ativo circulante (custos de carregamento) e os custos de falta, de forma a atingir o ponto ideal para a empresa.
Quanto ao custo de carregamento, pode-se defini-lo como os custos que crescem com o aumento do nível dos investimentos em ativos circulantes. Ex.: Custo de estocagem, custo de crédito ao cliente, custo de oportunidade do investimento. Já o custo de falta é o custo que cai com o aumento do nível de investimentos em ativos circulantes. Ex.: custo de empréstimo de curto prazo, custo de máquina parada por falta de estoque, entre outros.
Os gráficos seguintes mostram as duas políticas de financiamento (flexível e restritiva) e aponta o modelo ótimo de política de financiamento, em que o nível de investimento de ativo circulante empregado atinge o ponto mínimo no custo total de investimento em ativos circulantes.

QUAL A MELHOR POLÍTICA DE FINANCIAMENTO?
Não existe um número mágico para essa pergunta. Interessante destacar alguns pontos:

a) Reservas de Caixa
Reservas de caixa mais confortáveis garante tranquilidade na gestão a curto prazo, porém seu excesso pode empatar capital e reduzir a rentabilidade dos ativos de capital da empresa.

b) Casamentos de Prazos
O casamento de prazos do ativo e passivo circulante é interessante, uma vez que evita o financiamento do ativo permanente a curto prazo.

c) Taxas de juros relativas
Avaliar a viabilidade das taxas relativas ao prazo de financiamento. Financiamentos muito extensos geram custos maiores.

d) Estratégias básicas para redução do ciclo de caixa da empresa
• Retardar os pagamentos da Contas a Pagar;
• Aproveitar os descontos favoráveis;
• Acelerar o giro de estoques e matéria-prima;
• Acelerar os recebimentos de Contas a Receber;

ORÇAMENTO DE CAIXA
O orçamento de caixa, é uma projeção das entradas e saídas de caixa para o período de planejamento seguinte. Em seguida, será  apresentado um modelo de orçamento de caixa.

FLOAT E GESTÃO DO CAIXA
Conforme visto anteriormente, a liquidez é a capacidade de transformar ativo em moeda, ou seja, é o grau de monetização do ativo.
Por quê é importante existir o caixa?
Por quê é interessante deixá-lo no menor nível possível?
Existem três motivos importantes para se ter caixa (liquidez):

a) Motivo Especulação
A necessidade de manter caixa para tirar proveito de oportunidades de investimento, como por exemplo, desconto em compras, taxas de juros atraentes, flutuações favoráveis de câmbio.

b) Motivo Transação:
Precisa-se manter caixa para pagamento de despesas e movimentação financeira da empresa. Como as entradas de caixa não são perfeitamente sincronizadas, existe um espaçamento ou descasamento entre receitas e despesas que é preciso ser coberto pelo caixa.

c) Motivo Precaução:
O saldo de caixa por precaução é uma reserva de liquidez suficiente para arcar com eventuais desembolsos não-previstos, trazendo assim, certa margem de segurança das operações da empresa.

O que é float?
É a diferença existente entre o saldo contábil e o saldo bancário disponível, representada principalmente pelos cheques não-sacados. A gestão de float é exatamente administrar os saldos reais disponíveis da empresa, de forma a minimizar eventuais gastos com empréstimos de curtíssimo prazo ou saldos negativos em conta.

GESTÃO DE CAIXA: RECEBIMENTOS, DESEMBOLSOS E APLICAÇÕES
Conforme visto anteriormente, a liquidez é a capacidade de transformar ativo em moeda, ou seja, é o grau de monetização do ativo. Por quê é importante existir o caixa? 
a) Boletos bancários;
b) Protesto;
c) Endosso de títulos;
d) Datas-chave para recebimento;
e) Margem de Segurança;
Algumas rápidas considerações sobre desembolsos
a) Maximização no prazo para pagamento;
b) Conta mestre –> Distribuição contas específicas para despesas. Ex.: Matriz – Filial;

Algumas rápidas considerações sobre aplicações

a) Aplicação de reservas em fundos de curto prazo;
b) A questão do IOF;
c) A questão do financiamento sazonal: alta/baixa temporada; inverno/verão; chuva/sol;
d) A questão da remuneração do saldo médio bancário;

CRÉDITOS E CONTAS A RECEBER
O crédito pode ser encarado, à primeira vista, como um grande inimigo do contas a receber, uma vez que estende o prazo de recebimento e o pior, aumenta o risco de inadimplência. A importância do crédito reside no fato de ser um grande estímulo às vendas. Certamente a área comercial da empresa deverá participar da definição da política de crédito, que consiste basicamente em:

a) Condições de venda
Nesta etapa, são definidos o prazo do crédito, o desconto para pagamento à vista e o tipo de instrumento de crédito, este último tendo como maior exemplo o cheque e cartão de crédito.

b) Análise de Crédito
Corresponde basicamente à coleta de informações sobre o comprador e determinação de risco. A coleta de informações é feita através de Balanços, DRE`s (para empresas), SERASA, SPC e órgão de proteção ao crédito, além do histórico de compras anteriores do comprador.

Já a determinação do risco é feita, através da análise dos 5 C´s do crédito, a saber:
a) Caráter: trata da disposição do cliente em pagar;
b) Capacidade: capacidade de geração de fluxo de caixa com base o que o cliente atua;
c) Capital: nível de reservas financeiras;
d) Collateral (garantias): ativos oferecidos como garantia em caso de inadimplência;
e) Condições: condições econômicas do setor de atuação do cliente;
c) Política de Cobrança

Envolve basicamente o acompanhamento das contas a receber para detectar dificuldades e conseguir o pagamento das contas vencidas. O acompanhamento das contas a receber pode ser feito
através do PMR ou quadro de idades. Através do quadro de idades, é possível avaliar o nível de inadimplência dos clientes.

PRINCIPAIS MODALIDADES DE CRÉDITO BANCÁRIO
a) Desconto de títulos
b) Conta Garantida ou Crédito Retroativo
c) Operação de Vendor
d) Factoring

DIVIDENDOS ORIGEM
Art. 201. A companhia somente pode pagar dividendos à conta de lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de reserva de lucros; e à conta de reserva de capital, no caso das ações preferenciais de que trata o § 5º do artigo 17.
§ 1º A distribuição de dividendos com inobservância do disposto neste artigo implica responsabilidade solidária dos administradores e fiscais, que deverão repor à caixa social a importância distribuída, sem prejuízo da ação penal que no caso couber.
§ 2º Os acionistas não são obrigados a restituir os dividendos que em boa-fé tenham recebido.
Presume-se a má-fé quando os dividendos forem distribuídos sem o levantamento do balanço ou em desacordo com os resultados deste.
Dividendo Obrigatório
Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
I - metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores:
(Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e (Incluída pela Lei nº 10.303, de 2001)
b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; (Incluída pela Lei nº 10.303, de 2001)
II - o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
III - os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
4 Retirado da Lei das S/A
§ 1º O estatuto poderá estabelecer o dividendo como porcentagem do lucro ou do capital social, ou fixar outros critérios para determiná-lo, desde que sejam regulados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários ao arbítrio dos órgãos de administração ou da maioria.
§ 2o Quando o estatuto for omisso e a assembleia-geral deliberar alterá-lo para introduzir norma sobre a matéria, o dividendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% (vinte e cinco por cento)
do lucro líquido ajustado nos termos do inciso I deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
§ 3o A assembleia-geral pode, desde que não haja oposição de qualquer acionista presente, deliberar a distribuição de dividendo inferior ao obrigatório, nos termos deste artigo, ou a retenção de todo o lucro líquido, nas seguintes sociedades: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)
I - companhias abertas exclusivamente para a captação de recursos por debêntures não conversíveis em ações; (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)
II - companhias fechadas, exceto nas controladas por companhias abertas que não se enquadrem na condição prevista no inciso I. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)
§ 4º O dividendo previsto neste artigo não será obrigatório no exercício social em que os órgãos da administração informarem à assembleia-geral ordinária ser ele incompatível com a situação financeira da companhia. O conselho fiscal, se em funcionamento, deverá dar parecer sobre essa informação e, na companhia aberta, seus administradores encaminharão à Comissão de Valores Mobiliários, dentro de 5 (cinco) dias da realização da assembleia-geral, exposição justificativa da informação transmitida à assembleia.
§ 5º Os lucros que deixarem de ser distribuídos nos termos do § 4º serão registrados como reserva especial e, se não absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser pagos como dividendo assim que o permitir a situação financeira da companhia.
§ 6o Os lucros não destinados nos termos dos arts. 193 a 197 deverão ser distribuídos como dividendos. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)
Dividendos de Ações Preferenciais
Art. 203. O disposto nos artigos 194 a 197, e 202, não prejudicará o direito dos acionistas preferenciais de receber os dividendos fixos ou mínimos a que tenham prioridade, inclusive os atrasados, se cumulativos.
Dividendos Intermediários
Art. 204. A companhia que, por força de lei ou de disposição estatutária, levantar balanço semestral, poderá declarar, por deliberação dos órgãos de administração, se autorizados pelo estatuto, dividendo à conta do lucro apurado nesse balanço.
§ 1º A companhia poderá, nos termos de disposição estatutária, levantar balanço e distribuir dividendos em períodos menores, desde que o total dos dividendos pagos em cada semestre do exercício social não exceda o montante das reservas de capital de que trata o § 1º do artigo 182.
§ 2º O estatuto poderá autorizar os órgãos de administração a declarar dividendos intermediários, à conta de lucros acumulados ou de reservas de lucros existentes no último balanço anual ou semestral.
Pagamento de Dividendos
Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação.
§ 1º Os dividendos poderão ser pagos por cheque nominativo remetido por via postal para o endereço comunicado pelo acionista à companhia, ou mediante crédito em conta corrente bancária aberta em nome do acionista.
§ 2º Os dividendos das ações em custódia bancária ou em depósito nos termos dos artigos 41 e 43 serão pagos pela companhia à instituição financeira depositária, que será responsável pela sua entrega aos titulares das ações depositadas.

§ 3º O dividendo deverá ser pago, salvo deliberação em contrário da assembleia-geral, no prazo de 60 (sessenta) dias da data em que for declarado e, em qualquer caso, dentro do exercício social.

domingo, 2 de junho de 2013

DIVIDENDOS E POLÍTICA DE DIVIDENDOS




O QUE É DIVIDENDO?
O termo dividendo refere-se normalmente à distribuição de lucros em dinheiro. Formalmente, define dividendos como as distribuições de lucros da empresa aos acionistas, sob a forma de dinheiro ou ações. Para os casos de empresas LTDA., os dividendos se equivaleriam às distribuições de lucro.

QUAIS OS TIPOS DE DIVIDENDOS?
Enumera quatro tipo de dividendos:
a) Dividendos regulares: são os dividendos normalmente pagos em dinheiro diretamente aos acionistas, quatro vezes por ano. São de frequência fixa, no curso regular das operações da empresa.
b) Dividendos extraordinários: são dividendos extras que não têm obrigatoriedade de frequência e periodicidade definida.
c) Dividendos especiais: são dividendos extras, de caráter único e não repetitivo.
d) Dividendos de liquidação: significa a distribuição pela liquidação total ou parcial da empresa.

MÉTODO DE PAGAMENTO DE DIVIDENDOS NO BRASIL
A regulamentação nacional sobre o pagamento de dividendos no Brasil foi transcrita da Lei das Sociedades por Ações (S/A´s) e encontra-se no Anexo 01.

A POLÍTICA DE DIVIDENDOS É RELEVANTE OU IRRELEVANTE?
Em se tratando de política de dividendos, (ROSS, et al., 2000) coloca bem:
“os dividendos são pagos em dinheiro, e dinheiro é algo de que todo mundo gosta. A questão que discutiremos aqui é se a empresa deve distribuir dinheiro agora ou investir para distribuí-lo mais tarde. A política de dividendos, portanto, é a maneira pela qual os dividendos são distribuídos no tempo”.
Em um mercado perfeito, sem risco, impostos e custo de transação, a teoria da irrelevância dos dividendos defende que a política de dividendos de uma empresa não afeta seu valor de mercado, pois este é afetado apenas pela sua capacidade de gerar lucros e pelo risco de seus ativos. Algumas considerações sobre:

a) Índice de distribuição dos dividendos
b) Financiamento x retenção de dividendos
c) Permanência do valor e preferência fiscal

Teoria da relevância dos dividendos Segundo, a teoria da relevância dos dividendos defende que, quanto mais dividendos forem distribuídos pela empresa, maior será o preço de suas ações e menor será o custo do seu capital próprio.

a) Índice de distribuição dos dividendos
b) Dividendos como um resíduo passivo
c) Conteúdo informacional dos dividendos
d) Impostos pagos pelo investidor
e) Custos de lançamento e transação

TEORIA RESIDUAL DOS DIVIDENDOS
A teoria residual dos dividendos defende que os dividendos pagos pela empresa seriam o montante remanescente após todas as oportunidades de investimento aceitáveis terem sido aproveitadas.

DETERMINAÇÃO DA POLÍTICA DE DIVIDENDOS:

O que é política de dividendos?
Fatores que afetam a política de dividendos
Tipos de políticas de dividendos

INSTRUMENTOS DA POLÍTICA DE DIVIDENDOS

Distribuição de dividendos
Desdobramento de ações (Splits)
Plano de recompra de ações
Planos de reinvestimento
Juros sobre capital próprio
Relações com investidores

OBTENÇÃO DE CAPITAL 2

CAPITAL DE RISCO
Antes de iniciar esse capítulo, convém distinguir a captação de recursos ou obtenção de capital em duas partes: a primeira, voltada para empreendedores que desejam lançar um produto e não dispõe de qualquer ativo para garantir a operação (Capital de Risco). A segunda, para empresas já atuantes no mercado, será a captação através de oferta pública de ações.
O Capital de Risco refere-se a financiamento para novos empreendimentos. Normalmente operam sem nenhuma garantia de sucesso. Trabalham com a hipótese de alavancagem e sucesso do negócio, o que certamente geraria altos lucros com a venda da patente ou da empresa propriamente dita.

CONCEITOS INICIAIS
Antes de iniciar o capítulo, alguns conceitos contábeis
precisam ser relembrados.
Em um balanço, o ativo total deve equivaler ao passivo total. Assim, pode-se escrever que:

ATIVO CIRCULANTE + ARLP + ATIVO PERMANENTE
=
PASSIVO CIRCULANTE + PELP + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Paralelo a isso, é importante retomar o conceito de capital de giro líquido ou capital circulante líquido. Capital circulante líquido é a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante.
Portanto, ao substituir na equação a fórmula:

ATIVO CIRCULANTE – PASSIVO CIRCULANTE
=
CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO,

ter-se-ia:

CAP. GIRO LÍQUIDO + ARLP + ATIVO PERMANENTE
=
PELP + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Como o Capital de Giro Líquido corresponde ao:
Caixa + Outros Ativos Circulantes – Passivo Circulante, a equação final pode ser:

CAIXA = PELP + PL + PC – OUTROS AT. CIRCULANTES – AT. PERMANENTE – ARLP

Com isso, conclui-se que nos grupos em que há o sinal de + , um aumento destes provoca um aumento de caixa, enquanto que o sinal – provoca uma redução de caixa.

CICLO OPERACIONAL E CICLO DE CAIXA
Ciclo operacional, é o ciclo completo que vai desde o momento de compra da mercadoria até o momento do recebimento de caixa. Já o ciclo de caixa, compreende o período em que os recursos da empresa foram utilizados para o pagamento dos bens e matérias-primas até o recebimento pela venda do produto acabado.
O período que vai da compra de matéria-prima até o pagamento da matéria-prima é chamado de período de contas a pagar ou período médio de pagamento. Portanto, conclui-se que o ciclo operacional é o ciclo de caixa + período médio de pagamento.

·       Compra de matéria-prima
·       Venda do produto
·       Pagamento da matéria-prima
·       Recebimento da venda do produto
·       Ciclo Operacional
·       Ciclo de caixa

CICLO OPERACIONAL E CICLO DE CAIXA – COMO CALCULAR
No ciclo operacional, pode-se dividir a linha do tempo em duas partes: uma primeira etapa que seria a idade média dos estoques ou prazo médio de estocagem. A segunda, que seria o prazo médio de recebimento.
1º passo: Calcular o prazo médio de estocagem. Informações necessárias: CMV e Estoques (Médio).
2º passo: Calcular o prazo médio de recebimento. Informações necessárias:
Duplicatas a Receber e Vendas (diárias).
Em seguida, somam-se os dois prazos para encontrar o ciclo operacional.
Como o ciclo de caixa é o ciclo operacional menos o período médio de pagamento, resta saber apenas este último. O período médio de pagamento é calculado.

(LEMES JR, et al., 2001) concluem bem em relação ao estudo dos ciclos:

“A análise do Ciclo de Caixa também indica a necessidade de determinação de ações que visem encurtá-lo, pois quanto mais longo for o Ciclo de Caixa, maior será a necessidade de recursos financeiros para o financiamento dos valores aplicados em estoques e contas a receber. Sem dúvida, a política que objetiva trabalhar com ciclos operacionais e ciclos de caixa reduzidos deverá tornar mais difícil a gestão financeira e operacional, pois exigirá lidar com recursos escassos em caixa, imporá limitações nas políticas de crédito, o que dificultará a realização das vendas, e forçará a empresa a trabalhar com estoques reduzidos de matérias primas e produtos acabados.”

Em se tratando de investimento em ativo circulante que cubra o ciclo de caixa,  coloca que depende da magnitude do investimento em ativo circulante que a empresa queira adotar:

a) Política financeira flexível: é aquela que mantém uma proporção relativamente elevada entre ativo circulante e vendas, priorizada pelo endividamento a longo prazo. Assim, o investimento em ativo circulante seria maior, já que se teria uma manutenção de saldos mais elevados de caixa e contas a receber, além de políticas de estoque elevado e maior liberdade de crédito junto ao cliente.
b) Política financeira restritiva ou agressiva: é aquela que mantém um quociente baixo entre o ativo circulante e vendas, priorizada pelo endividamento de curto prazo. Assim, o investimento em ativo circulante é menor, já que se mantém saldos mais reduzidos de caixa e contas a receber, além de políticas de estoque reduzido e redução de vendas a prazo. Naturalmente, como a política agressiva exige um volume menor de investimento no ativo circulante, algumas outras consequências podem ocorrer: um volume de vendas menor em virtude do crédito restrito, falta de mercadoria em estoque para o cliente, interrupções no processo produtivo por falta de estoque. Portanto, o importante é equilibrar os custos envolvidos com os investimento no ativo circulante (custos de carregamento) e os custos de falta, de forma a atingir o ponto ideal para a empresa.
Quanto ao custo de carregamento, pode-se defini-lo como os custos que crescem com o aumento do nível dos investimentos em ativos circulantes.
Ex.: Custo de estocagem, custo de crédito ao cliente, custo de oportunidade do investimento. Já o custo de falta é o custo que cai com o aumento do nível de investimentos em ativos circulantes. Ex.: custo de empréstimo de curto prazo, custo de máquina parada por falta de estoque, entre outros.

QUAL A MELHOR POLÍTICA DE FINANCIAMENTO?
Não existe um número mágico para essa pergunta. Interessante destacar alguns pontos:
a) Reservas de Caixa
Reservas de caixa mais confortáveis garante tranquilidade na gestão a curto prazo, porém seu excesso pode empatar capital e reduzir a rentabilidade dos ativos de capital da empresa.
b) Casamentos de Prazos
O casamento de prazos do ativo e passivo circulante é interessante, uma vez que evita o financiamento do ativo permanente a curto prazo.
c) Taxas de juros relativas
Avaliar a viabilidade das taxas relativas ao prazo de financiamento. Financiamentos muito extensos geram custos maiores.
d) Estratégias básicas para redução do ciclo de caixa da empresa
• Retardar os pagamentos da Contas a Pagar;
• Aproveitar os descontos favoráveis;
• Acelerar o giro de estoques e matéria-prima;
• Acelerar os recebimentos de Contas a Receber;

ORÇAMENTO DE CAIXA

O orçamento de caixa, é uma projeção das entradas e saídas de caixa para o período de planejamento seguinte. Em seguida, será apresentado um modelo de orçamento de caixa.

domingo, 26 de maio de 2013

ALAVANCAGEM E ESTRUTURA DE CAPITAL



A QUESTÃO DA ESTRUTURA DE CAPITAL

Conforme visto no capítulo anterior, o custo de capital médio ponderado retrata o custo de capital próprio e de terceiros, de acordo com a proporção financiada por cada um.
A principal razão para estudar o custo de capital está na questão de que o valor da empresa será maximizado quando o custo de capital da empresa estiver minimizado, ou seja, a empresa gastará menos para financiar seus recursos.
Assim, pode-se definir a estrutura ótima de capital como aquela que proporciona o menor custo de capital médio ponderado, maximizando, dessa forma, o valor da empresa.

ALAVANCAGEM
A alavancagem é o uso de ativos ou recursos com um custo fixo, a fim de aumentar os retornos dos proprietários da empresa.
Ou ainda, a alavancagem é o conceito que define o grau de utilização de recursos de terceiros para aumentar as possibilidades de lucro, aumentando consequentemente o grau de risco da operação.
Existem três tipos básicos de alavancagem: operacional, financeira e total. A alavancagem operacional é determinada pela relação entre as receitas de vendas da empresa e seu LAJIR. A alavancagem financeira refere-se à relação entre o LAJIR e o lucro por ação e a alavancagem total é determinada pela relação entre a receita de vendas da empresa e o lucro por ação.

ALAVANCAGEM FINANCEIRA E O SEU EFEITO
A alavancagem financeira, é a capacidade da empresa de usar encargos financeiros fixos a fim de maximizar os efeitos de variações no LAJIR sobre os lucros por ação da empresa. Já define como o efeito de uma mudança no lucro por ação como resultado de uma mudança no LAJIR.

EXEMPLO:
Uma empresa tem um capital total de R$ 8 milhões, todo constituído por capital próprio, através de 400.000 ações ao preço de R$ 20,00. A empresa decide terceirizar parte da dívida da empresa, totalizando R$ 4 milhões de capital de terceiros. A taxa de juros cobrada pelo valor é de 10% ao ano.
Supondo que a empresa trabalhe com 03 cenários de desempenho prováveis: recessão, esperado e expansão.

ESTRUTURA DE CAPITAL CORRENTE: SEM DÍVIDAS
RECESSÃO ESPERADO EXPANSÃO

LAJIR:  R$ 500.000 / R$ 1.000.000 / R$ 1.500.000
Juros:  0 /  0 / 0
Lucro Líquido:  R$ 500.000 / R$ 1.000.000 / R$ 1.500.000
ROE: 6,25%  / 12,50%  / 18,75%
LPA: R$ 1,25 / R$ 2,50 / R$ 3,75

ESTRUTURA DE CAPITAL CORRENTE: R$ 4 MILHÕES DE CAPITAL DE TERCEIROS
RECESSÃO ESPERADO EXPANSÃO

LAJIR:  R$ 500.000 / R$ 1.000.000  / R$ 1.500.000
Juros R$ 400.000  / R$ 400.000  / R$ 400.000
Lucro Líquido: R$ 100.000 / R$ 600.000  / R$ 1.100.000
ROE: 2,50%  / 15,00%  / 27,50%
LPA: R$ 0,50  / R$ 3,00  / R$ 5,50

Percebe-se que o ROE (Retorno sobre Capital) e o LPA (Lucro por ação) são relativamente maiores com a estrutura alavancada, a partir de determinado momento, uma vez que no cenário de recessão o montante de juros representa quase a totalidade do LAJIR. À medida que o LAJIR vai aumentando e o montante de juros permanece o mesmo, aumenta-se o valor do ROE e LPA, principalmente porque agora o capital próprio é de apenas R$ 4 milhões.

ALAVANCAGEM FINANCEIRA E O LAJIR DE EQUILÍBRIO
Conforme visto anteriormente, percebe-se que, a partir de determinado momento, compensasse utilizar capital de terceiros. Portanto, torna-se necessário descobrir o ponto de equilíbrio do LAJIR, ou seja, o valor inicial de LAJIR que permita trabalhar alavancado com maiores ganhos.

ESTRUTURA DE CAPITAL E VALOR DA EMPRESA – PROPOSIÇÃO I DE M&M: MODELO DE PIZZA
Conforme visto anteriormente, a estrutura de capital da empresa é definida pela quantidade de capital próprio e capital de terceiros envolvidos na composição da empresa.
De acordo com Modigliani e Miller (M&M), o valor da empresa independe de sua estrutura de capital. A forma com que a empresa divide seu capital não interfere no tamanho do ativo gerado pela empresa. Essa proposição ficou conhecida como o modelo de Pizza de M&M, dada a ilustração de que, na verdade, a o tamanho da pizza é igual em ambos os casos, variando apenas a forma como ela é dividida.
Porém, na prática, o que ocorre é que o endividamento pode ser vantajoso porque a mudança da estrutura de capital pode reduzir o imposto de renda a pagar, tornar o custo de capital menor e aumentar o valor da empresa. Uma crítica sobre o modelo de pizza de M&M é que os pressupostos são de mercado perfeito e ideal – sem impostos, com ampla e perfeita divulgação de todas as informações e sem custos de transação, o que efetivamente não
ocorre.

RISCO OPERACIONAL E RISCO FINANCEIRO
O custo de capital próprio pode ser dividido em duas partes: o risco operacional e o risco financeiro. O risco operacional diz respeito às operações da empresa, ou seja, é o risco que a empresa
corre de não gerar receitas suficientes para cobrir seus custos operacionais. Já o risco financeiro é o risco que a empresa corre por utilizar o capital de terceiros, ou seja, é resultado direto da decisão de financiamento da empresa, tendo em vista o risco existente pelo alto volume de amortizações e juros a pagar. Em suma, é o risco de não gerar lucro suficiente para arcar com o principal e juros dos empréstimos de terceiros. É o que os autores definem como o custo da inadimplência ou custo de falência. Dentre outros aspectos, à medida que uma empresa se torna mais endividada, o maior risco da empresa é assumido pelos acionistas, os quais, por conta disso, passam a exigir um retorno mais elevado.

O BENEFÍCIO FISCAL DO CAPITAL DE TERCEIROS
Os juros pagos a título de empréstimo (capital de terceiros) são dedutíveis da base tributável dos impostos sobre resultado (IRPJ e CSLL). Assim, a empresa consegue gerar uma economia no valor de impostos a recolher.
Vale ressaltar que, para empresas que apresentem prejuízo contábil, esse benefício não surte qualquer efeito.
Concluindo, o custo de capital de terceiros definitivamente torna-se mais barato do que o custo de capital próprio para a empresa. Então, nessa lógica, seria interessante para a empresa trabalhar sempre com capital de terceiros? Integralmente não, até pelo alto risco financeiro incorrido nessa situação, uma vez que ao mesmo tempo que a empresa ganha benefício fiscal com os juros, sua capacidade de gerar lucro compromete-se com o alto montante de amortização e juros dos empréstimos. Portanto, existe uma determinada composição que aproveita os benefícios do baixo custo de capital de terceiros sem no entanto comprometer em demasia a geração de lucros da empresa.
É o ponto ótimo da estrutura de capital ou estrutura ótima de capital.

ESTRUTURA ÓTIMA DE CAPITAL
Uma empresa obtém a maximização de seu valor quando o custo total de capital é mínimo, ou seja, quando o custo médio ponderado de capital é mínimo.
Conforme foi visto anteriormente, o mix ideal de relação entre o capital próprio e capital de terceiro é que vai possibilitar ter uma estrutura ótima de capital, tendo em vista que terá o seu custo médio ponderado de capital mínimo. Explica bem essa situação: “a empresa toma emprestado o ponto no qual o benefício fiscal de um dólar adicional de capital de terceiros é exatamente igual ao custo oriundo do aumento da probabilidade de dificuldades financeiras”.

ESTRUTURA ÓTIMA DE CAPITAL

Assim, não seria prudente afirmar que exista uma única intersecção que corresponderia exatamente ao ponto ótimo da estrutura de capital. O importante nesse ponto é atentar-se para o trade-off colocado na questão: benefício fiscal x dificuldades financeiras. Ou seja, a empresa deve ponderar até em que ponto consegue se endividar sem comprometer sua geração de lucro, de forma a reduzir seu custo de capital, sem no entanto abdicar da pontualidade de seus compromissos (pagamento das dívidas).

domingo, 19 de maio de 2013

CUSTO DE CAPITAL


CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Quando da avaliação de investimentos, das alternativas estudadas (VPL, TIR, Índice de Rentabilidade), era necessário definir a taxa mínima de atratividade ou custo de capital. A partir de agora, a definição primordial passa a ser de financiamento e não mais de investimento.
Portanto, torna-se indispensável saber qual a taxa mínima de retorno que a empresa ou investidor irá exigir de seus investimentos, sejam estes financiados por capital do acionista
(próprio) ou por terceiros.

O QUE É CUSTO DE CAPITAL?
O custo de capital é a taxa de retorno que uma empresa deve pagar aos investidores a fim de induzi-los a comprar ações e títulos.
O custo de capital é a taxa de retorno mínima exigida para um novo investimento.
Em sua estrutura de capital, uma empresa remunera seus acionistas e sócios através de dividendos, distribuições de lucro e
outros; por outro lado, existem terceiros que ajudam a financiar as atividades da empresa (bancos, fundos de pensão, entre outros). Portanto, o custo de capital da empresa deve abranger a remuneração exigida pelos sócios e acionistas e mais a remuneração exigida pelos terceiros, ponderado, logicamente, pela participação de cada um no capital da empresa. Assim, pode-se dividir o custo de capital da empresa em (i) próprio e (ii) terceiro.

CUSTO DE CAPITAL PRÓPRIO
O custo de capital próprio corresponde ao retorno que os investidores, sejam acionistas ou sócios exigem pelo investimento nas ações da empresa ou participação direta no capital social da empresa.
Existem duas abordagens para se calcular o custo de capital próprio:
a) Modelo de Crescimento de Dividendos ou Modelo de Gordon;
b) Modelo SML ou Linha de Mercado de Títulos;
Ao final, será apresentada ainda a metodologia de cálculo da ação preferencial.
Modelo de Crescimento de Dividendos ou Modelo de Gordon.
A remuneração de um acionista consiste basicamente nos dividendos1 pagos pela empresa.
Supondo que os dividendos de uma empresa tendem a crescer a uma taxa constante, o retorno exigido pelo acionista será o percentual do dividendo em relação ao valor da ação, acrescido da taxa de crescimento do dividendo.

Rexig = D/Po + g
Po = preço corrente da ação ordinária
D = dividendo por ação esperado no final do ano 01
Rexig = taxa de retorno exigida sobre a ação ordinária
g = taxa anual de crescimento constante dos dividendos

Dividendos é a parcela do lucro apurado pela empresa, que é distribuída aos acionistas por ocasião do encerramento do exercício social (balanço). Pela lei das S/A' s, deverá ser distribuído um dividendo de no mínimo 25% do lucro líquido apurado, e sempre em dinheiro (moeda corrente). Os dividendos podem ter periodicidade diversa: mensal, trimestral, semestral, anual, etc., desde que conste no estatuto da empresa o período determinado. A Assembleia Geral Ordinária (AGO) é quem determina a parcela a ser distribuído como dividendo, de acordo com os interesses da empresa, através da manifestação de seus acionistas. O montante a ser distribuído deverá ser dividido pelo número de ações emitidas pela empresa, de forma a garantir a proporcionalidade da distribuição.

EXEMPLO:

Po = R$ 50
D = R$4
g = 5%
Ks = ??
R.: 13% é o retorno mínimo exigido pelo acionista

Modelo SML ou Linha de Mercado de Títulos
Para o modelo SML, conforme visto no capítulo anterior, o custo de capital próprio é calculado da seguinte forma:

Resp = Rlivre + (8 x (Rmerc - Rlivre))

EM QUE:
Resp = Retorno esperado do título ou ação ou Custo de Capital Próprio
Rlivre = Retorno livre do risco
8 = Índice beta do título ou ação
Rmerc = Retorno de mercado

EXEMPLO:
Rlivre = 7%
8 = 1,50
Rmerc = 11%
Resp = 7% + [1,5 x (11% - 7%)]
Resp = 7% + 6% = 13%.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS DOIS MODELOS

MODELO VANTAGENS DESVANTAGENS
Crescimento de dividendos - Simples de calcular;
- Fácil de ser compreendida e utilizada;
- Só é aplicável a empresas que paguem dividendos;
- O pressuposto de que os dividendos crescem a uma taxa constante é forçado;
- Não considera o risco explicitamente;
SML - Considera o risco, uma vez que trabalha com o beta;
- Aplicado não somente às empresas que pagam dividendos;
- O retorno de mercado deve ser estimado, o que torna o modelo
mais impreciso;
- Por utilizar o beta, o futuro está sendo projetado com base no passado, o que nem sempre será necessariamente seguido.

CUSTO DA AÇÃO PREFERENCIAL
A diferença básica entre uma ação ordinária e preferencial é que a ordinária dá direito a voto ao acionista, enquanto que a ação preferencial tem prioridade na distribuição de dividendos. Por isso, as ações preferenciais tendem a ter um custo menor que o das ações ordinárias (Modelo de Gordon), porque são menos arriscadas que aquelas quanto ao recebimento de dividendos. Os acionistas preferenciais não exigem uma remuneração, a empresa é que a oferece; no entanto se esta não for satisfatória, provavelmente não comprarão ações da empresa.
Diferentemente dos EUA, onde a ação preferencial é considerada capital de terceiros, sendo sua remuneração fixa e predeterminada; no Brasil, a ação preferencial é considerada capital próprio e sua remuneração variável. A ideia americana de que a ação preferencial é capital de terceiro driva da questão de que o único interesse do acionista é pela liquidez do título e não pela tomada de decisão da empresa (acionista ordinário).

A FORMA DE CÁLCULO DA AÇÃO PREFERENCIAL É:
Rexig = D/P0

EM QUE:
Rexig = Retorno exigido pela ação preferencial
D = Dividendo a ser pago
P0 = Preço da ação preferencial

CUSTO DE CAPITAL DE TERCEIROS
O Custo de Capital de Terceiros consiste na taxa de juros sobre o capital de terceiros, menos a redução do imposto proveniente do fato dos juros serem dedutíveis do LAJIR. O custo de capital de terceiros é o retorno que os banqueiros exigem por seus recursos.

CUSTO DE CAPITAL DE TERCEIROS:
J = juros do empréstimo ou financiamento;
Ir = alíquota de Imposto de Renda
Ct = total do capital de terceiros tomado

CUSTO DE CAPITAL MÉDIO PONDERADO
O Custo de Capital Médio Ponderado é a média ponderada dos custos dos componentes capital de terceiros, ações preferenciais e ações ordinárias. O custo de capital médio ponderado reflete o futuro custo médio esperado de fundos da empresa a longo prazo; é encontrado ponderando-se o custo de cada tipo específico de capital por sua proporção na estrutura de capital da empresa.